Eduardo Rotgeller está chegando ao fim de uma longa e insípida carreira acadêmica. Seus alunos o detestam e seus colegas o ignoram. Agarrando-se a uma inesperada possibilidade de sucesso, ele está disposto a suportar tudo, da convivência com um rival ao desinteresse de seu bolsista, para deixar uma marca no mundo.
As estocadas bem-humoradas satirizam o mundo acadêmico com suas lutas por um prestígio que permanece desconhecido da maioria dos esportistas. No fundo, nem tão fundo assim, apesar do discurso em terceira pessoa, é o olhar do aluno, o estagiário, o bolsista, numa revanche contra o “mestre” umbilical, pedante e sem escrúpulos. O pequeno mundo universitário, com os seus rituais e troféus, fascina os escritores consagrados e também os jovens em busca de reconhecimento. Ambos têm razão. Esse microcosmo fervilha de vaidades e disputas. O professor de botânica de Samir Machado é, ao mesmo tempo, um estereótipo e um arquétipo, um símbolo e uma realidade muito concreta.
Juremir Machado, autor de Solo
Samir Machado de Machado nasceu em 1981 em Porto Alegre (RS). É publicitário, designer gráfico e um dos criadores da Não Editora. Idealizou e organizou a coletânea Ficção de polpa (volumes 1 e 2, Não Editora). Seu conto Os expressionistas foi adaptado para curta-metragem por Frederico Cabral. O professor de botânica é seu livro de estréia.
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