Através de uma linguagem direta, com frases curtas e foco na ação, Rodrigo Rosp provoca, nas 13 narrativas de Fora do lugar, uma sensação de estranhamento e nonsense. Com uma mistura de ironia, lirismo e perversidade, o autor cria um universo de símbolos onde reina a inadequação.
Humor com amargura, com escárnio, com perversidade, com dor, com mais humor, com sexo (perverso), com amor de verdade e um tanto mais de humor. É com essa mistura, muito bem-sucedida, que o Rodrigo Rosp escreve histórias que engolem o leitor com a mesma voracidade da engolidora de espadas, personagem de um dos melhores contos deste livro.
Claudia Tajes
Vamos botar as coisas nos seus devidos lugares. Nenhuma história é real. Mesmo a baseada em fatos reais. Depois de contada, depois que vira palavra, vira ficção. Por isso, nunca vi muita diferença entre o que se chama de realismo fantástico e de realismo. Desde os contos de fadas, a mistura entre uma aparente realidade e uma atraente irrealidade convivem numa boa. Neste livro do Rosp, por exemplo, há um conto muito legal em que um monstro entra numa sala de espera de um consultório. Tem outro em que o espelho deforma um dos personagens, mas reflete com correção os outros. Mais um com a engolidora de espadas e de outras coisas. O trânsito competente entre os diversos planos narrativos dá o tom de Fora do lugar. No meio do livro, um conto contundente: Carrasco. Tenho gostado muito de quem vai ao fundo das coisas. E o Rodrigo foi.
Ricardo Silvestrin
Rodrigo Rosp é autor de A virgem que não conhecia Picasso (Não Editora, 2007). Fora do lugar é seu segundo livro de contos.
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